

A investigação apura um suposto esquema de favorecimento político envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master e agentes públicos. Apó”. Em entrevista à BandNews TV, o senador declarou que encontrou Vorcaro apenas duas vezes. Segundo ele, o primeiro contato ocorreu quando o banqueiro foi apresentado por Augusto Lima, empresário apontado como ex-sócio de Vorcaro. O segundo teria acontecido quando o dono do Banco Master pediu uma indicação para a área jurídica da instituição financeira. Wagner afirmou que nunca manteve uma relação próxima com o banqueiro e rejeitou a tese de que teria atuado politicamente em favor dos interesses do grupo financeiro. A nova fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo ministro André Mendonça e investiga suspeitas de que interesses do Banco Master teriam sido defendidos dentro do Congresso Nacional. Entre os temas sob análise estão propostas relacionadas ao crédito consignado, alterações envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e discussões regulatórias que poderiam beneficiar instituições financeiras ligadas ao grupo investigado.
A Polícia Federal sustenta que Wagner teria mantido uma relação de confiança com Augusto Lima, empresário apontado como peça-chave do esquema investigado. Os investigadores afirmam ter identificado registros de mensagens, chamadas telefônicas, encontros presenciais, viagens em aeronaves particulares e contatos familiares que demonstrariam proximidade entre os envolvidos. A PF também aponta movimentações financeiras e negociações patrimoniais consideradas suspeitas. Um dos pontos centrais da investigação é a compra de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,4 milhões. Segundo os investigadores, a operação poderia representar uma vantagem indevida concedida ao senador. Wagner, porém, apresentou outra versão. Ele afirma que o imóvel ainda está em construção e que sua intenção era ajudar a filha a adquirir a propriedade futuramente. De acordo com o parlamentar, Augusto Lima teria apenas atuado como investidor temporário, com a expectativa de que o imóvel fosse recomprado posteriormente pela família.
Outro elemento que chamou atenção foi a apreensão de milhares de dólares e euros durante as buscas realizadas em endereços ligados ao senador em Brasília e Salvador. Wagner afirmou que os recursos têm origem legal e seriam provenientes de valores acumulados para viagens internacionais realizadas ao longo dos últimos anos, incluindo diárias recebidas em missões oficiais do Senado. Segundo ele, parte do dinheiro estava guardada em envelopes identificados com documentação institucional, o que comprovaria sua origem lícita.
O senador também negou categoricamente ter recebido dinheiro do Banco Master, de Daniel Vorcaro ou de Augusto Lima. “Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima”, afirmou durante a entrevista. Wagner declarou estar tranquilo em relação à investigação e disse acreditar que, ao final do processo, sua inocência será comprovada. Em meio à repercussão do caso, Wagner revelou ter recebido uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o senador, Lula manifestou solidariedade e confiança em sua conduta, indicando que não pretende afastá-lo da liderança do governo no Senado neste momento. O parlamentar afirmou que mantém sua pré-candidatura à reeleição em 2026 e descartou qualquer possibilidade de abandonar a vida política em razão das investigações.
O caso amplia a pressão sobre figuras importantes da base governista e pode gerar novos desdobramentos políticos nas próximas semanas. Apesar das negativas de Jaques Wagner, a Polícia Federal sustenta que ainda há elementos a serem aprofundados e que a investigação continua em andamento. Até o momento, não houve denúncia formal nem condenação contra o senador, que permanece apenas na condição de investigado